segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

12.


A cidade cantava, aos desavisados, todos pareceriam loucos. Mas a alegria que exaltava cada coração na cidadela velha era sentida alem dos vales, chegando no topo das montanhas geladas. A noite não era tão fria, e os ventos não eram tão fortes. Na manhã de natal, não havia nada que faltasse a ninguem. Havia calor e alegria até mesmo na neve que caia.

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(Depois eu posto um conto melhor para o natal)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Aos otimistas


Se uma a cada três segundos morre uma criança de fome, então, de quanto em quanto tempo morre um otimista? Se todos dizem que o mico-leão-dourado está em extinção, e que devemos preservá-los para o equilibrio ambiental, porque diabos ninguem se preocupa com a morte dos que sonham? Com o gradual extermínio da esperença? Sinceramente, deveria existir uma campanha nacional - ou, para um maior efeito, uma campanha global - alertando sobre a nossa morte. Todos os dias somos bombardeados com catastrofes: quedas de aviões, quedas de morros, quedas na bolsa de valores, violência, mortes, surtos psicóticos, corrupção, pouluição, mais mortes, e por fim, anuncios de outro conflito armado em algum pais muçulmano. Mas, se fossem só notícias que nos matassem, não estaria escrevendo sobre isso. O que mais nos matam são as outras pessoas, mais desprovidas de imaginação. Os realistas. Hoje em dia, ser otimista é motivo de vergonha, já percebeu? Pessoas preferem (e tem orgulho em dizer) que são pessimistas e/ou realistas, a simplesmente ter um pouco de coragem de aceitar que as coisas podem mudar. "Cara, claro que não. Eu sou REALISTA. Ser realista não é ser pessimista. Os otimistas é que precisam se tocar. O homem sempre foi assim, e sempre será. E vocês, otimistas, que estão errados em pensar que há saida pra tudo isso, é claro que não!". Eu ADORO quando ouço esse tipo de coisa, sério mesmo, é de uma riqueza em covardia digna de pena. Se uma pessoa diz que o homem não vai mudar, é porque ESSA PESSOA não acredita na própria capacidade de mudar. "Pff, é claro que não. Eu posso mudar, se eu quiser, mas acontece que nem todo mundo é igual". É obvio. Mas, eu acho que há certas coisas que todos temos (tipo os instintos animalescos, ou a capacidade de adaptação que vocês se regogizam e clamam porque a ciencia considerou como sendo verdade) e sendo assim, a capacidade de mudar, de se adaptar a uma nova forma de pensar, e de agir deve ser algo que todos compartilhamos. Alem do mais, QUEM DISSE QUE OS OTIMISTAS NÃO SÃO REALISTAS? Eu sou uma otimista realista, muito prazer. É claro que eu sei que o mundo está uma calamidade, que os homens se matam por dinheiro, que é dificil ser bom, que é mais fácil roubar, e que talvez não tenhamos um futuro brilhante. E quer saber? Eu vejo uma saída em tudo isso. Eu vejo meus filhos e meus netos vivendo num lugar melhor. Eu me vejo trabalhando por isso. Fazendo alguma diferença, ao inves de só "ver a realidade como ela é".
Então, parem de matar aquilo em que meus companheiros acreditam, queridos realistas. Parem de julgá-los loucos e utópicos. Deixem-nos viver, e acreditar. Deixem-se converter, pensem grande!

Tenham coragem.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

11. A Dama e a Brisa


Na água, o reflexo das feições dos dois se distorcia.
Ele olhava o céu. Ela o olhava da água.
A água, linha maleavel, era sua clausura.
Bolhas coloridas se formaram em sua boca, e eclodiram na superfície.
Ele virou a cabeça, o olhar varreu o lago prateado, mas o gorjeio dos pássaros era alto.
Veio, então, a Brisa.
Surgiu como uma miragem vinda do horizonte. Tinha os cabelos compridos cujas pontas suaves dissolviam-se no ar, e nos olhos o brilho azul do céu caribenho.
Seus dedos delicados roçaram os cabelos, a pele, e os lábios sensíveis dele, e com um suspiro, o rapaz fechou os olhos.
Ela o fez rir e o deliciou naquele dia quente.
Soprou flores para alegrá-lo.
Fez voarem pássaros.
Da água, o que a outra poderia fazer?
Não tinha mãos para alcançá-lo. Sua voz era abafada pelas lufadas de ar que a Brisa o banhava.
A água, seu corpo e sépulcro, a prendiam. Não era livre como o vento.
A Dama do lago tinha grandes olhos tristes, agora, escuros como o fundo das águas. Traziam ainda a esperança, um brilho suave e lucilante. O corpo era branco como vela que de tempos em tempos, misturava-se com a transparência do lago.
A Brisa trouxe núvens para cobri-lo do Sol.
Ficou escuro sobre o lago.
A Dama colocou as mãos contra o espelho líquido, tentando sair.
O rapaz sorriu e moveu-se em direção a Brisa, que dançava sobre a grama alta.
As orbes negras da outra se alargaram, dolorosas.
Lentamente, a Dama do lago afastou-se da superfície. As sombras do fundo pareciam líquidas, envolvendo-a lentamente na descida. Ainda assim, ela manteve os olhos nas nuvens turvas no céu, cantando a tristeza de um prisioneiro.
Na superfície, a Brisa continuou soprando as nuvens, que uma hora, fecharam o céu azul.
Ela olhou para o céu. Um pingo atingiu-lhe a face.
Começou a chover.
A Brisa tornou-se um revoado de pingos, que açoitava o rosto do rapaz.
Incapaz de deter-se, ela partiu, magoada com o fim da brincadeira.
Mas das agulhas prateadas que caiam do céu, a voz da Dama enxeu a superfície. Os pássaros não cantaram. Nem mesmo os insetos eram ouvindos no ar.
Ele parou por um momento. Seus olhos, dourados como campos de trigo, varreram novamente o lago.
Um sorriso tranquilo se abriu em seu rosto, agora sereno, e ele ficou ali mais um pouco.
Apesar da chuva que caía.
Apesar da impossibilidade de tudo.




sábado, 16 de outubro de 2010

10.



Imagine um bosque,
e nesse bosque, uma criança.
Imagine que esse bosque
Seja tão grande, tão grande
E a criança
tão pequena, tão pequena.
Imagine que o chão seja de terra,
e os caminhos ladrilhados por pedrinhas
que a criança já cansou de contar.
Imagine que lá são ouvidos gorjeios
Mas não há pássaros a vista.
São ouvidos rumores,
sem rio, sem chuva, sem vento.
Imagine que ao anoitecer a criança sinta o perfume da flor
ouça o grilo cricrilar e o bosque adormecer
sem nada nunca encontrar.
Imagine que a criança ande e ande,
Sempre perdida
Sem ser ouvida.
Imagine que ela dorme, esquecida da manhã
e que quando acorda chama, e ninguem responde.
Imagine que ela segue, com seus pequenos pés de fada
por esse bosque interminável,
cujos limites se perdem na névoa.
Sempre adiante, os pés da criança pisam o barro: terra e lágrimas,
mas logo vem a noite de novo,
logo vem o sono de novo,
ela sonha, e sorri.
Imagine que esse bosque se chame Solidão,
e a criança que nele vaga, bom,
tem o nome daquilo que nos é mais puro,
e esquecemos.
Tem o nome dos sonhos grandes
que sufocamos.
Tem o nome da infância, da criança
que fomos.
Tem um nome.
Mas a criança continua andando,
sem escutar nenhum chamado.
Nenhuma resposta.
Perdida no bosque, sempre andando.
Procurando por você.


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

9.



A chuva cálida
Molha as crianças de lá.
Sempre que olhar
Você verá: lá o céu é mais azul
As luzes mostram o tempo
Por entre essas montanhas
Já devidamente esquecidas
No lugar onde eu repouso
Existem borboletas
Lembranças refulgentes
Finalmente lá
Na gentileza da manhã
O corpo do vento
Sopra as preces das mães
E todas as meninas param
Compreendendo
E todos os meninos param
Saudando
Para lá, agora
Onde as crianças correm,
Eu tambem corro.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Musica da semana

Essa semana eu tenho provas e deveria estar estudando.
Aha-ha.
Então decidi assistir mais uma vez o DVD da Loreena McKennitt - Nights From the Alhambra, e me reapaixonei (readorei? reviciei?) em Dante's Prayer. Como uma musica consegue ser tão triste, e tão linda, eu não sei. Como eu já insinuei, acho que vivi alguma catástrofe amorosa em alguma vida passada.
Ou preciso consultar um psicólogo.
De qualquer maneira, qualquer um que aprecie poemas, musicas antigas ou melancolia nostálgica, vale a pena ganhar alguns minutos ouvindo-a.

sábado, 4 de setembro de 2010

8.


A coroa do Rei se esvai sobre as montanhas sonolentas, dando lugar a sua benevolente companheira. Seus dedos alvos penteiam a Terra, acordando as marés. Sua bondade é tanta, que faz da noite a voz da memória. A chuva suspira lámurias e orações ininteligíveis que os corações derrubam ao subir. Sonhos e esperanças são deixados na Terra, florescendo nos galhos dos carvalhos durante a primavera. De lá, eles conseguem vê-los. De lá, eles querem alcançá-los. Por isso, eles voltam. O sopro que corre a relva durante a noite espalha seus momentos felizes. A poeira das estradas se agita com nomes de todos os tempos, de todos os lados, de todos os corações. O vento e a chuva sempre sussurram-me desculpas. O toque cuidadoso sobre o mar acalma os que sofrem, e faz seu imenso tapete negro em memória dos amantes que se separaram. Se você ouvir bem as ondas dentro das conchas, o ouvirá ao seu lado.
O firmamento reluz com os amores que um dia todos perdem.
Ele brilha para mim.
Acho que meu amor já morreu.


terça-feira, 8 de junho de 2010

7. Querido Futuro,



Sei que não sou a única a tentar entrar em contato.
Espero que releve a simplicidade dessa carta, mas que responda meu pedido com rapidez. Acho que tem algo errado com o nosso combinado. Meus Amanhãs não tem sido exatamente o que eu havia ordenado, e portanto tenho direito a troca. Não tenho me sentido disposta, os estudos não me fascinam. Meus Dias Seguintes vieram com grandes manchas de Rotina e faltam pedaços de Diversão. Entretanto, acho que os Amigos que vieram de brinde suprem a deficiência com muita eficiencia. Mas acho que algumas horas foram retiradas da encomenda, pois sinto que não tenho tido tempo para nada.
O resto do produto continua empacotado, em cima de um grande armário. Eu não consigo alcançar. Por que não posso saber o que vou ganhar, antes de ganhar? Não faz sentido. Eu poderia escolher o que abrir antes, não? Afinal, a vida é minha.
Mas, você sempre soube o que fazer. Confio em você.
Espero que continue cuidando de mim, e otimizando meus Dias Seguintes.

PS.: Será que o você não consegue fazer com que o Destino entre em contato comigo? Gostaria de saber onde posso encontrar um Grande Amor. Sinto falta dele no meu estoque.

Atenciosamente,
Bruna Maria.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

6.

Eis a ordem natural das coisas serem: Vejo, acho que sei, talvez seja. Quando finalmente o é, os olhos não deixam ver o que é latente no coração. O coração bate, e a boca se embaralha. Seguem-se momentos estranhos. Estranho silêncio. E o vento sopra, leva embora o admirado. Ignorado são os desajeitados sorrisos. Estupidez. Fica a dúvida, metal pesado que afunda o peito. E começa a chover. O ciclo se fecha em perfeita concisão.

domingo, 6 de junho de 2010

5.

Olhe que lindas, pernas mais lindas. Compridas como já não se vê mais!
Olhe a cintura. Mais fina cintura impossível! Roem-se de inveja os infames espartilhos.
A pele tras a ternura dos pêssegos infantis. Hão de se comparar os bebês com ela, não o contrario.
Tão esguia! Esguia como a bainha da espada que protege os olhos do brilho do corte.
Das roupas então, nem se fala! Suspiram os senhores quando ela passa. Desdenham as senhoras, pois querem comprar.

Mas dos olhos, dos olhos ninguem sabe, ninguem viu, os olhos ardem. Nunca nem deu um sorriso, sempre que passa, piso, sem querer em seu reflexo em qualquer poça de chuva. Seu rosto é um mistério, perdido em bafejos de ira e futilidade. É belo o corpo, mas é tênue a alma.

Enfeita-se a casca, pois o miolo é oco.

domingo, 30 de maio de 2010

4.


Parou em frente ao espelho.
Seus olhos desceram pelos cabelos escuros, lisos como rios que cortam a planície. Ela se perguntou como pareceriam loiros, ondulantes. Desejou ter olhos claros, suaves. Desejou ter a pele mais clara, alva como os anjos pintados em igrejas. Desejou ter as faces coradas com o pudor tímido que tinha.
Apertou os lábios fartos. Não era tipicamente bela. Não era comumente confundida com outra. Era uma mistura dos antigos das florestas com os intrusos do Norte. Seu coração era, portanto, parte dessa mistura. Diferente a cada batida. Encarou os olhos negros como pedras ônix no espelho, e concluiu que só de perto era possivel ver os detalhes íntimos de sua íris. Deu um passo para trás e viu sua imagem se transformar. A garota que sorria para ela parecia-lhe mais antiga do que sua idade. Seus olhos turvos esbanjavam os mistérios há muito perdidos para os novos costumes. Sua postura confiante encheu o ambiente, e até a garota se assustou. Era assim que os outros a viam?
Sua imagem deu-lhe uma piscadela.
A garota sorriu de volta. A imagem a imitou. E sem olhar para o espelho novamente, apagou as luzes e foi embora.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

3.


Ah, meus olhos castanhos. Poderiam ser azuis, como o caribe. Como o céu, como a harmonia. Impessoais, transparentes, potentes. Poderiam enregelar quando furiosos, tempestuosos. Verdes, os olhos verdes. Esmeraldas faiscantes são os orbes verdes ao Sol. Noturnos, felinos, acaramelados. Misteriosos, persuasivos, seus segredos podem aquecer um coração. Mas, prefiro pensar que escolhi meus olhos castanhos, que mais parecem troncos de freixos antigos. Simples, diretos, simpáticos. Olhos castanhos têm na infantilidade o charme. Nuances brilhantes. Latência. Não são belos como os mais claros, mas é no escuro que conseguimos ver as estrelas mais brilhantes, não?



2.


E a chuva agora caia, caia. Pingos translúcidos, brilhantes até mesmo naquele dia cinzento. Esquivavam-se os mais arrumados, os possuidores de mais obsoletidades. Alguns se arriscavam, mas logo se afastavam da extremidade da calçada. E a chuva, indiferente, continuava a cair. Numa lufada suave, as frias gotas fizeram os que estavam mais perto de alvo. A grande massa recuou, espalhafatosa. Protegiam seus apetrechos, suas bugigangas, efemeridades. E o vento borrifou novamente os aljôfares no ar. Uma garota, que havia saido um pouco mais tarde, viu o grande recuo, e pensou ser algo mais sério. Espichou-se por cima das botas velhas e gastas, e olhou a rua, por onde escorria água. Seus olhos refletiram a perplexidade que sentiu por alguns segundos: não havia trazido guarda-chuva! O dia amanhecera tão bonito. Ela nunca gostara de dias cinzas – sempre preferira as cores de um dia de Sol. Sentia-se encurralada, enclausurada, claustrofóbica. Começou a ficar histérica como os outros. Pensou em como chegaria em casa, o transito se transformava num verdadeiro caos em dias de chuva. Os outros procuravam por onde seguir. A tensão aumentava, pois mais pessoas se concentravam na calçada úmida. Seus pés começavam a se roçar indelicadamente. A obsequiedade se diluia no ar. Então, em outra lufada, gotículas frias bateram contra seus óculos. Estarrecida, a garota levantou as mãos para enxugá-lo. Foi quando ela viu arco-íris disformes na chuva. Recolocou os óculos, percebendo como as coisas mudavam de padrão. As pessoas deram lugar a pontinhos borrados. Até mesmo suas lamurias foram substituidas pelo ritmo suave das gotas tocando o chão. A visão borrada mostrou-lhe uma pequena brecha pelo amontoado de seres balbuciantes. Ela seguiu por ali, até sentir-se proxima da beirada da calçada. Hesitou. Se continuasse, iria se molhar. Se ficasse, não iria para casa. Uma hora, todos ali teriam que sair. Todos, inexoravelmente, teriam que se deixar molhar pela chuva. Alguem precisava dar o primeiro passo. Ela fechou os olhos, encolheu-se, esperando o frio. No começo, ela o sentiu. Suas roupas pesaram, seu corpo pareceu afundar no cimento. Ela se deu conta do que fizera e a vergonha veio, pintando-lhe o rosto. A garota esperou pelas brincadeiras e vaias, que vieram. Afinal, lidava com adolescentes. Subitamente, se sentiu quente, e pensou que a causa fosse o rubor. Mas percebeu que, agora, as gotas pareciam acariciar-lhe o couro cabeludo, escorrendo por suas madeixas até as pontas de seus cabelos. Ela não se sentiu mais pesada. Acostumara-se. Abriu os olhos e olhou para trás; as gotas caiam do coberto, como uma cortina descontinua e brilhante. Os outros agora pareciam-lhe crianças assustadas. Amuadas, presas ao que era seguro. E ela entendeu. Um sorriso brando se abriu em seu rosto molhado, e com um gesto mínimo de cabeça, ela os convidou para a seguirem. "Louca!", disseram, ao ver ela se afastar. "Como eu poderia ir nessa chuva? Não posso sair daqui, não posso fazer nada", eles se lamuriavam. Até que alguns poucos entenderam e também sairam para a chuva.



sábado, 10 de abril de 2010

1.

Há neve na janela.
Última chance, onde você está?




Eu caio. Caio? Afundo. Perco-me. A corda se arrebenta, nosso elo vacila. Apavoro-me, mas os sussurros das canções que cantamos entorpecem-me o peito imóvel. Com os pés que mal tocavam a relva verde, eu trilho ao lado do souto verde. A água me disse que você não estava longe. Lentamente, as árvores fechadas conduziram-me por trilhas sutis e sonolentas. Depois de tanto tempo, esquecer é natural. Eu orei ao tempo por uma exceção. Por favor, não me esqueça.
Mas os campos dourados são tão lindos, tão lindos. Como eu poderia culpá-lo por distrair-se neste Paraíso? O Sol está quase se pondo. O vento sopra, acaricia o trigo, e vagalumes lucilantes valsam em minha última noite.

Há neve na janela, mas o frio, já não sinto mais.

Primeiro

Eu não gosto do jeito que escrevo.
Mas escrevo mesmo assim, e vou ter que me engolir. Engolir aquele lado terrível que sempre diz que eu sou pior. Ah, não. Não ria, não revire os olhos ou pense que estou tendo uma crise depressiva e piegas. Se pensar isso, ora bolas, à merda. Você nunca pensou? Não? Não mesmo? Mesmo, mesmo? Não minta para mim, seu covarde. Admita. Admite? Ótimo. Então pode continuar a ler minhas postagens. E já aviso: esse blog não é de moda, banda, ou qualquer coisa assim. O que eu posto são extravasos, neuroses, sonhos, e revoltas. Fique à vontade para comentar, ler e, pode não parecer mas, eu sou uma pessoa muito amável (acreditem). Aceito críticas e (de preferência) elogios.

Peço coragem,
Bruna maria