terça-feira, 8 de junho de 2010

7. Querido Futuro,



Sei que não sou a única a tentar entrar em contato.
Espero que releve a simplicidade dessa carta, mas que responda meu pedido com rapidez. Acho que tem algo errado com o nosso combinado. Meus Amanhãs não tem sido exatamente o que eu havia ordenado, e portanto tenho direito a troca. Não tenho me sentido disposta, os estudos não me fascinam. Meus Dias Seguintes vieram com grandes manchas de Rotina e faltam pedaços de Diversão. Entretanto, acho que os Amigos que vieram de brinde suprem a deficiência com muita eficiencia. Mas acho que algumas horas foram retiradas da encomenda, pois sinto que não tenho tido tempo para nada.
O resto do produto continua empacotado, em cima de um grande armário. Eu não consigo alcançar. Por que não posso saber o que vou ganhar, antes de ganhar? Não faz sentido. Eu poderia escolher o que abrir antes, não? Afinal, a vida é minha.
Mas, você sempre soube o que fazer. Confio em você.
Espero que continue cuidando de mim, e otimizando meus Dias Seguintes.

PS.: Será que o você não consegue fazer com que o Destino entre em contato comigo? Gostaria de saber onde posso encontrar um Grande Amor. Sinto falta dele no meu estoque.

Atenciosamente,
Bruna Maria.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

6.

Eis a ordem natural das coisas serem: Vejo, acho que sei, talvez seja. Quando finalmente o é, os olhos não deixam ver o que é latente no coração. O coração bate, e a boca se embaralha. Seguem-se momentos estranhos. Estranho silêncio. E o vento sopra, leva embora o admirado. Ignorado são os desajeitados sorrisos. Estupidez. Fica a dúvida, metal pesado que afunda o peito. E começa a chover. O ciclo se fecha em perfeita concisão.

domingo, 6 de junho de 2010

5.

Olhe que lindas, pernas mais lindas. Compridas como já não se vê mais!
Olhe a cintura. Mais fina cintura impossível! Roem-se de inveja os infames espartilhos.
A pele tras a ternura dos pêssegos infantis. Hão de se comparar os bebês com ela, não o contrario.
Tão esguia! Esguia como a bainha da espada que protege os olhos do brilho do corte.
Das roupas então, nem se fala! Suspiram os senhores quando ela passa. Desdenham as senhoras, pois querem comprar.

Mas dos olhos, dos olhos ninguem sabe, ninguem viu, os olhos ardem. Nunca nem deu um sorriso, sempre que passa, piso, sem querer em seu reflexo em qualquer poça de chuva. Seu rosto é um mistério, perdido em bafejos de ira e futilidade. É belo o corpo, mas é tênue a alma.

Enfeita-se a casca, pois o miolo é oco.