segunda-feira, 20 de maio de 2013

29.

Sabe que tem gente que entra na nossa vida pra mudar alguma coisa,
E acaba levando um pedaço da gente junto. E acaba deixando um pedaço quebrado deles com a gente também, oras.
As vezes é porcelana fina: quebra fácil e a gente cuida com muito cuidado; as vezes é barro já queimado, muitas e muitas vezes, escuro, áspero.

Esse tipo de peça a gente encontra aos montes.
Eu não quero me tornar mais uma fazedora de cerâmica machucada e desgastada pelo fogo.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

28. Ode a Paixão

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Ah vá a merda, seu porra louca do caralho.

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

27.

Eu acariciei a superfície do espelho, a palma da mão deixando um rastro quente e embaçado por todo meu reflexo. Estava lá, distorcida pelo calor, pelo toque, toda minha feição perdida entre as gotículas de suor.
Aos poucos, voltei a ser discernível. Mas a trilha dos meus dedos ainda transparecia, cortando o reflexo de um ponto a outro de meu rosto. 
Franzi o cenho. Peguei um batom - um daqueles que as pessoas usam para me descrever - e pintei meu coração em escarlate, na superfície polida a minha frente. 
Sorri. E escrevi ao lado "Um dia eu te encontro."
E os caminhos de outros toques vão desaparecer da minha imagem, tenho certeza.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

26.




Sopravam delicadamente, as pontas de metal cristalino no ar. 
Uma a uma, suas cordas sussurraram a melodia tranquila da noite pra dentro das cortinas do meu quarto, que embaladas pelo som também dançaram. Pano branco, macio, imaculado, espanou algumas cinzas da fumaça do incensório; as brasas lucilaram em rodopios rápidos contra a escuridão parcial. As sombras que a Lua forçava a entrar tocavam meu rosto na escuridão; silhuetas das arvores a distancia estavam aqui, como se não houvesse tantos e tantos metros entre nós. Assim eu me peguei pensando: "Ah, silhuetas de sombra significam luz, em algum lugar, e algo concreto, entre o ponto final e o inicio".
 Mas do fim, já se sabe. 
Sombras dançam sobre um rosto. E, bem, o rosto não é o seu — que já acomoda outra luz em sua superfície. Luz por luz, eu também fui. Eu também projetei suas sombras em alguma coisa; sombras essas que de tamanho eu pouco sabia reconhecer, afinal, quem saberia? Projetei suas sombras com toda a luz que consegui. Mas as luzes variam entre si. Lânguida e delicada como chama de vela, sedutora e dúbia — ah, essa não mostra o escuro do objeto; essa mascara e adula. Mas essa chama apaga. Acaba. Cansa do pavio, cansa da cera. Não existe, e deixa a sombra ser o que bem entender — acho que era desse tipo de luz que você estava procurando.

Luz por luz, prefiro ser como a Lua.