domingo, 14 de abril de 2013

26.

Essa tristeza, essa tristeza.
O coração ainda tá macio, mas no processo de criar crostas firmes.
Essa tristeza, essa vontade.
Não queima de jeito nenhum.

sábado, 6 de abril de 2013

25.

Não é seu.
Não é. 
Nunca foi, nunca será. Assim como não será de ninguém.
Estará com alguém. Uma escolha. É sempre uma escolha. 
Se fizer questão, fica, e compartilha, e ajuda a crescer.
Se não fizer, vai para outro lugar que agrade mais, o que não quer dizer que alguém esteja errado.
Não pense que era seu, porque ninguém nunca pertencerá a ninguém, mesmo que assim o diga. Não pense que perdeu algo, porque nunca foi de sua possessão.
As únicas coisas que você possui - e lembre-se disso sempre - é aquilo que está dentro. De você. Seu objetivo maior de vida, lembra? Isso fica. Isso dá movimento, isso dá Vida. 
Não se apegue ao ser que te propicia a alegria - porque um dia ele pode ir embora, e você sofre. Até porque a memória um dia vai embora também, assim como sentimentos corriqueiros. Mas enquanto isso, ame o que a pessoa significa, ame sua essência daquilo, o sentimento. Porque isso você pode guardar, mesmo depois da pessoa ter partido.
Fique forte, aprenda a deixar ir.
Um dia, vai chegar alguém que vai ficar. Que vai amar sua essência, seu caráter. Sua risada. Seu jeito de ver a vida.
Viva muito até lá. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

24.

Estava correndo tão rápido; os pés eram borrões no entardecer. O vento assoviava nos ouvidos, o coração batia nas têmporas, e o sorriso louco e desvairado lhe esticava o rosto.
Urrou de raiva, de frustração, de desejo. O grito ecoou no vazio do descampado, sendo ouvido apenas pelas nuvens no céu alaranjado. 
Gritou de novo, juntando as mãos no rosto e retorcendo-se de força. Aquilo saia de suas entranhas, do fundo mais fundo de si. Tirou o cabelo do rosto com um movimento brusco e rodou, procurando acusadoramente ao seu redor o culpado. A respiração entrecortada embalou mais um grito, as mãos arranharam o ar, atacando o que não fazia sentido em sua cabeça. Tentou cavar para fora de si aquilo, bateu os braços para exaurir o que lhe tomava a cabeça.
Caiu de joelhos no chão de relva verde e macia. O sorriso enlouquecido ainda ali, os olhos estalados num grande arco psicótico. Riu algo que parecia um lamento histérico.
- Grande fracote - riu de si mesma, apertando a cabeça entre as mãos. - Louca. Imbecil. Que decepção.
"Que decepção" ecoou o ar.

domingo, 31 de março de 2013

23.

No coração, a água negra transbordou
Bem devagarinho, pingou no chão
Os pés afundaram ali
A ponta da faca ainda no peito
Fazia gotejar o vazio de forma tão dengosa
Tão delicada
Que nem passou pela cabeça tirá-la dali

domingo, 24 de março de 2013

21.



Que estranha essa mudança.
Você não imagina a revolução que eu tenho no peito agora. Nem eu imagino. Na verdade, não quero prestar atenção nela. Tá tudo mais turbulento, menos claro e mais difícil. Eu vejo que conclui mal — a informação não impede algo de continuar a ser. É triste, entender o que pensam. Como pensam. E saber que tanta coisa poderia mudar, se a razão fosse acompanhada de coragem e coração.
Com meus botões, também concluo o quão fracos eram os ventos que faziam seus olhos encontrarem os meus. E dos meus olhos, a luz não bastar. E do meu coração, a coragem não diferenciar. As marcas que a minha pele ganhava, o quase rubor que não chegava a superfície — por causa de um sorriso. 

Ah, o que eu ofereceria.
Parece prepotência, mas tenho certeza que nem a luz você veria da mesma forma. Sabe porque? Ela faria sentido. Tudo faria sentido. A vida seria mais um intervalo, dentre tantos outros que vivemos. Você encontraria aquele mundo, aquela outra realidade e o conforto que procura — da sua forma, é claro —, eu teria alguém para me acompanhar por um tempo. Teríamos um propósito em comum, e então, serias um verdadeiro Amigo, mesmo que não continuássemos de mãos dadas pela vida. 
Há tanto ainda para se ver. Tanto, tanto, tanto, meu amigo.

Nos vemos por aí.

sexta-feira, 15 de março de 2013

20.


Um dois três, um dois três.
— Dança comigo?
— Só se chover.
Um dois, um dois
— Sabia que chuva é quase a musica que vem de casa? Ah, que saudade.
— Ah, que saudade. Mas dance, dance que a saudade passa.
— Um pouquinho. Quase nada.
 Um dois três um dois três.
— Tem pessoas que dão saudade, que nem a chuva. Quase como se já tivéssemos dançado juntas.
— Algumas ouvem a musica também. Olhe lá, quantas pessoas dançando junto com você. Vem. Dança mais um pouco.
— Danço, mas meu coração não se move, ele não quer dançar.
— Meu bem, seu coração é o que esta fazendo chover. Olhe que bonito.
— É bonito, meu coração faz chover devagarinho.
(...)
— Não para, quero que chova pra sempre
— Então dança. Deixa o coração inundar o mundo.
Um dois três, um dois três, um dois três.

quinta-feira, 7 de março de 2013

19.

Foi num rompante de indignação que resolvi enterrar meu punho no espelho.
Um murro.
Doeu.
Acho que cortei alguma coisa. 
Opa.
Pronto. Acordei.
Oh, Deus.
Isso é sangue?